domingo, 22 de maio de 2016

Como desenvolver a escrita de forma significativa?

Não sei, também estou aprendendo.
Quando passei o filme "Batman Cavalheiro das trevas" para tentar fazer os alunos entenderem o que acontece quando há a ausência do Estado na sociedade, percebi que alguns alunos apresentaram bastante dificuldade em escrever.
Muitos deles falavam para mim sobre o filme e o texto, mas na hora de colocar no papel não conseguiam, ou não conseguiram fazer a ponte entre um e outro mesmo.
Aí lembrei daquela frase do Paulo Freire " Não basta saber ler que a 'Eva viu a uva'. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho", ou seja provocar o "estranhamento, a desnaturalização" que a sociologia tanto fala. Mas como desnaturalizar algo que não faz parte do dia a dia do aluno?
Talvez seja por isso que muitos não conseguiram colocar no papel a questão do Estado, pois o tema não faz parte da vivência deles, ou as palavras "tecnicistas" que usamos não conseguem entrar no mundo subjetivo de suas cabeças, já que hoje sabemos que esta geração, para abstrair é mais visual, a mente trabalha em cima de imagens e vivências concretas, não adianta um discurso de trinta minutos na aula porque senão eles "dormem e esquecem", assim como eu, fica muito chato mesmo!
Rubem Alves no Livro "Conversas sobre a educação" discute muito isso. Em um trecho de sua obra ele diz:
"Os ditos 'programas escolares se baseiam no pressuposto de que os conhecimentos podem ser aprendidos numa ordem lógica predeterminada. Ou seja: ignoram que a aprendizagem só acontece em resposta aos desafios vitais que estão acontecendo no momento (insisto nesta expressão 'no momento' - a vida só acontece 'no momento') da vida do estudante. Isso explicaria o fracasso das nossas escolas. Explicaria também o sofrimento dos alunos. Explicaria a sua justa recusa em aprender. Explicaria sua alegria ao saber que a professora ficou doente e vai faltar... Recordo a denúncia de Bruno Bettelheim contra a escola: 'Fui forçado(!) a estudar o que os professores haviam decidido que eu deveria aprender - e aprender a sua maneira...'
Não há pedagogia ou didática que seja capaz de dar vida a um conhecimento morto. Somente os necrófilos se excitam diante de cadáveres.
Acontece, então, o esquecimento: o supostamente aprendido é esquecido. Não por memória fraca. Esquecido  porque a memória é inteligente. A memória não carrega conhecimentos que não fazem sentido e não podem ser usados. Ela funciona como um escorredor de macarrão. Um escorredor de macarrão tem a função de deixar passar o inútil e guardar o útil e prazeroso. Se foi esquecido é porque não fazia sentido."
Diante de todas estas angústias que eu estava sentindo em relação aos alunos conseguirem escrever, ou colocar no papel seus pensamentos resolvi trabalhar com os alunos do terceiro ano  o que chamo de "temas marginais", por que "marginais"?, porque não estão no currículo escolar de sociologia. Vou trabalhar temas que fazem parte de suas vidas, tentando incluí-los nos temas comuns da sociologia, mas que não estão na grade do terceiro ano.
O primeiro tema foi o "O que é o amor?"
Primeiro mostrei através de ilustrações em power point, as várias formas de se falar sobre o tema (vou incluir nos anexos para vocês verem).
Depois trabalhei com a música "Quando bate aquela saudade" de Rubel. (também disponível neste post).
As reações dos alunos foram surpreendestes. Disponibilizei para eles um texto com a definição de amor (pena que não pode ficar com eles, pois quando imprimo textos avulsos, não posso deixar com os alunos pois uso em todas as salas), depois passei a apresentação com as várias formas de falar sobre amor e após com a letra da música os alunos acompanharam o vídeo clip.
O vídeo clip da música "quando bate aquela saudade" é muito interessante, pois não tem fim, usa personagens negros, idosos, crianças jovens, quarentões, de outras orientações sexuais e classes sociais, demonstrando assim que o amor não tem "cara".
Em uma sala os alunos queriam ficar cantando a música, em outras alguns alunos se emocionaram e choraram.
Pedi então, que livremente eles falassem sobre o tema, se expressando da forma que se sentissem mais a vontade.
Vou digitar no outro post as redações e depois algumas expressões visuais.



  

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