quarta-feira, 29 de agosto de 2018

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5 – RELAÇÕES E INTERAÇÕES SOCIAIS NA VIDA COTIDIANA - SOCIOLOGIA



Esta situação de aprendizagem solicita “sensibilizar os alunos para as diferentes estratégias que, consciente ou inconsciente, empregamos no dia a dia para relacionarmos com os outros”.
“Inicia-se também a discussão sobre os papéis sociais”
Para que os alunos entendam como se desenvolvem os papéis sociais e como, muitas vezes somos persuadidos, manipulados e condicionados a desempenhar determinados papéis influenciados pelo meio ou grupos que convivemos, foi desenvolvido na sala de aula um jogo, leitura de texto de livro de sociologia, análise de filme, atividade “Continue a história” e uma atividade avaliativa.
Falar sobre os papéis sociais inicia a compreensão da formação da identidade.
Duração: oito aulas de cinquenta minutos.
A sensibilização inicia-se com o jogo das bexigas.
Jogo das Bexigas:
Peça para que os alunos formem uma roda com as carteiras, assim será liberado espaço no centro da sala de aula.
Após dê uma bexiga para cada aluno e peça para que eles a encham. Quando todos tiverem com as bexigas cheias peça para que todos os alunos se posicionem no centro da sala com suas bexigas.
Informe que eles irão participar de um jogo, e que neste jogo, ganha quem permanecer com a bexiga inteira, cheia.
Geralmente a primeira reação dos alunos é sair estourando a bexiga de todo mundo. Eles correm, gritam, escondem a bexiga, quase se matam para estourar a bexiga um do outro até que permaneça somente uma bexiga cheia ou nenhuma. Por isso é necessário avisar os professores das salas ao lado que você desenvolverá uma atividade que fará um pouco de barulho.
Quando todos estiverem sem bexiga ou restar somente uma, peça para que voltem para seus lugares.
Explique que você fará a leitura de um texto para que eles entendam o que aconteceu. O texto é “Profe, é queima e volte?”. Este texto faz parte do Livro de Sociologia “Sociologia para Jovens do Século XXI” da editora Imperial Novo.
O texto traz uma reflexão sobre “o jogo da vida” e os papéis que desempenhamos.
Um breve trecho do texto:
“Como nos fala Bregolato (2008)2 no jogo da vida nem todos têm as mesmas oportunidades. “O time da sociedade na maioria das vezes é desunido, é ‘cada um joga por si’ e não pela coletividade. As oportunidades não são para todos ‘só se passa a bola’ para os melhores, os mais bonitos, os mais ricos, os mais hábeis.” E será que estamos aprendendo isso onde? Na Escola de uma forma em geral ou apenas nas aulas de Educação Física? Em casa? Quando nossos pais dizem que não podemos perder, por que a vida é competição e que o mundo é dos mais fortes? De que lado queremos estar? De que queremos fazer parte? Queremos mudar o atual sistema ou queremos fazer parte dele? Então, já sabe responder quem faz a REGRA DO JOGO?”
Neste momento, o professor pergunta para os alunos qual foi o comando dado para que o jogo fosse iniciado. A maioria dos alunos dirá que o professor solicitou que se estourasse a bexiga um do outro, o professor lembra então o comando dado repetindo a frase “Neste jogo, ganha quem permanecer com a bexiga inteira”
É importante esclarecer para o aluno que em nenhum momento foi solicitado para que estourassem as bexigas uns dos outros. E que se ninguém tivesse estourado a bexiga um do outro todos teriam ganhado.
Deve-se levar os alunos a discutirem o senso de coletividade e competitividade. De onde vem isso? Quem na ensina a ser tão competitivo?
Discutir também como o comportamento do indivíduo pode ser uma reação em cadeia. Comparar com o jogo, quando o primeiro aluno estourou uma bexiga, a reação foi em cadeia, e a partir deste momento todos do grupo repetiram a ação. Comparar o jogo com o jogo da vida citado no texto e com o comportamento que temos quando estamos em grupos.
A próxima aula os alunos devem assistir o filme “O Senhor das Moscas”
 "O Senhor das Moscas"
Sinopse da Folha de S.Paulo 
Um avião lotado de crianças e adolescentes cai numa ilha deserta. Os jovens sobrevivem e, aos poucos, vão se reunindo num grande grupo. Em assembleia, os meninos designam um líder. Longe dos códigos que regulam a sociedade dos adultos, esses jovens terão de inventar uma nova civilização, alicerçada exclusivamente nos recursos naturais da ilha e em suas próprias fantasias. 
Até aí este romance do inglês William Golding poderia ser lido como simples aventura infanto-juvenil, cheia de caçadas, banhos de mar e, ao final, a descoberta de um tesouro escondido por piratas. Mas não é o que ocorre. Apesar dos esforços iniciais de organizar uma sociedade auto-suficiente e equilibrada, o bando vai progressivamente cedendo à vida dos instintos, regredindo às pulsões de violência e de morte. A disputa pelo poder é um dos estopins da desordem. E o paraíso do "bom selvagem" acaba em carnificina.
Invertendo o clássico Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, em que um único indivíduo conseguia impor a civilização ao estado de natureza, Golding expressa neste romance sua descrença na bondade inata dos homens e em sua capacidade de criar um mundo melhor. Lançado em 1954, menos de uma década após os campos de concentração nazistas e a bomba de Hiroshima, o livro carrega esse destino já no título: "Senhor das Moscas" é a tradução literal da palavra hebraica Ba'alzebul - em português, "Belzebu".

Este filme pode ser usado para que os alunos reflitam até que ponto o indivíduo é levado a desempenhar determinados papéis que são impostos para que ele faça parte de um grupo, ou por instinto de sobrevivência, ou por coerção.
São várias análises e reflexões que podem ser realizadas.
O ideal é deixar uma aula somente para discussão.
Após discussão refletindo sobre os conceitos sociológicos, solicitar para que os alunos terminem a história do filme, pensando nas tensões comportamentais.
Na próxima aula, ler o final da história a partir do texto original do filme para que os alunos saibam qual foi a visão do autor.
Após é realizado uma atividade avaliativa, onde os alunos desenvolvem uma produção de texto orientada sobre sua impressão da história.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Trabalhando a interpretação

Quando recebo os alunos do primeiro ano do ensino médio percebo que eles, a grande maioria, possuem muita dificuldade em interpretar.
Nestes poucos anos na educação, o que venho observando, é que é difícil para os alunos falarem sobre aquilo que desconhecem. Quando eles dominam o assunto, como todos nós, é fácil escrever. Mas a sociologia é algo diferente.... Como ter essa conversa com eles?
Neste ano, minha vivência com os alunos será essa, ver o mundo como criança, de forma diferente, sem lentes, com olhos vivos para o mundo. E isso pode ser desenvolvido em todas as disciplinas, aulas vivas, amorosas, com tempo de olhar olho no olho do aluno, sentindo suas dúvidas e incertezas em relação ao mundo, e assim despertando a curiosidade em descobrir o que há lá fora.
As aulas, estas primeiras aulas, serão para demonstrar que a sociologia é a interpretação do mundo e da sociedade que vivemos, “fora da caixinha”, e para isso precisamos exercitar o que melhor fazíamos quando éramos crianças, ver o mundo de forma diferente.
Interpretar todos os tipos de linguagem.
E como seguir à frente com essa dificuldade nas aulas de sociologia que é a pura interpretação do mundo?
Pensei em dar algumas atividades de interpretação, mas a priori, não interpretação de texto, mas uma tentativa de interpretação criativa, do resgate de quando éramos crianças e interpretávamos tudo de forma diferente.
Iniciei com duas animações:
“O banquete”
“O Presente”
O objetivo é que os alunos se identifiquem com as animações, mas a atividade se dá da seguinte forma:
Explico para a sala qual é a proposta da aula, que não sou professora de língua portuguesa, mas que para que eles entendam a sociologia eles precisam interpretar o mundo e que a atividade da aula será elas assistirem a animação e após escrever literalmente a história.
Os alunos assistem a primeira animação e escrevem o que entenderam, sem pressa.
Assistem a segunda animação e escrevem o que entenderam, sem pressa
Algumas salas apresentaram muita dificuldade de entender a primeira animação, foi preciso que eu explicasse e após passasse a animação novamente.
É impressionante o quanto os alunos escrevem, muitas vezes, bem mais que trinta linhas.


O banquete



O presente